O homem de nossas vidas
Avalie este texto:por M. Seba
O primeiro raio de luz era desenhado, pintado como o mais belo dos quadros de uma exposição. O primeiro raio de luz era ela, simplesmente nua, de costas na minha direção,ela só queria pegar uma roupa que a deixasse menos covarde aos olhos humanos, manipulava movimentos nada castos nas gavetas altas daquele comedor de sonhos, maldito armário, traidor daquele lindo cenário, onde estariam suas gavetas no chão? Imaginava ela de quatro, abrindo e fechando as gavetas em baixo… Mas em questão de segundos, passei do claro ao borrão, ela percebera minha inquietação e se enrolou na toalha, fingi dispersão e fechei os olhos, ela se foi.
Acordei, meu dia começou, o café da manha já havia tomado, tomei-a em goles curtos logo pela manha, saboreei –a devorando com o único dos meus cinco sentidos que me era permitido, agradecia a magia da visão. Ainda deitada, enrolada, falava olhando para uma brecha na parede, aquela bolota de luz ainda babava no meu cobertor, sol vagabundo ainda não havia acordado, mas naquele dia eu lhe perdoei, o senhor sol estava perdoado, ele me acordou com um banho quente, os meus dedos congelados derreteram derrepente, e debaixo de um lençol fino peguei fogo em movimentos circulares , que não cansavam de tocar a carne. O único pedaço de carne do corpo que me dava prazer, que inferno, lembrava você, me invadira, aquele dia, eu tinha idade mas tão pouca vida, eu sempre senti, sempre te vi nos meus sonhos mais sujos, meus desejos mais escondidos, você estava lá gritando meu nome, gozando a fome, mulher fina e vulgar, não tinha lugar, não tinha hora e ao mesmo tempo que me saciava , me lembro de ter implorado ajuda para não cometer mais um pecado, havia jurado de joelhos no chão, dizia não,simultaneamente gozava aquela gostosa sensação, molhei todo lençol, e a única testemunha desse crime era o sol que enfim acordava . Levantei. Pernas bambas, caminhei até a porta, derrota, ela veio na minha direção.
Sem pedir licença, ela veio desfilando, lá se foi meu juramento, meu raciocínio. Lamentei por ainda não ser imortal para pensar em algo santo no momento. Fluorescente em um corredor escuro, iluminou as paredes obscuras, estava despida em seus trajes traíras que não escondiam nenhuma curva de toda sua perfeição. Me olhou, como meu corpo não passasse de mais um bloco de concreto igual a todo resto que ela já tinha desabado ao passar do banheiro ao quarto. Meu olfato me traia mais do que aquelas roupas fingidas que tentavam enganá-la. Seu cheiro custava tão caro a minha frágil memória, seu cheiro me transportava de um corredor a uma velha história, que ela me contara quando eu ainda não via lagrimas numa aliança, não chorava,e ria do amor como se ele nunca fosse o odor que eu fosse respirar. Respirei. Mas respirei tão fundo, que senti o doce do ar desintegrando alguns pedaços de mim que ainda me restavam, então passei do ser vivo ao concreto, estava completa minha transformação, ela se atreveu a alguns milímetros de minha cintura gelada, congelada no vapor dos seus dedos borbulhando de vontade de comer meu corpo. Fome, esse era o nome da boca de cada dedo que descia, com malicia para me devorar, ela também possuía os cinco sentidos, mas preferiu usar o seu melhor amigo, o que naquele instante não era permitido, senti então, o Tato. Fui do céu ao inferno num toque patético se fora daquele circo de epiléticos. Abri os olhos, e depois de degustar a sensação sublime do sexo imaginário, estava sozinha, me lembro de detalhes, encostada na parede, a audição era a rede que me levou a acreditar que a dois passos, ela se lambuzava em amassos indiscretos que entraram direto na minha imaginação. Pêlos, ela lidava com pêlos, músculos, falta de peitos, e algo entre as pernas que não me atraia, pelo menos nessa encarnação. Ela se lambuzava, enquanto eu estática, chorava, era um homem, um homem em minha casa, me fazia chorar, eu o amava, e ele me tomava o que por falta de lei não era meu. Ela o amava e o tomava com uma eterna aliança na mão esquerda. Eles eram marido e mulher, e eu deixara de ser criança, por aquela mesma, aquela mesma mulher. Corri, entrei no quarto e queria voltar a posição fetal, o gosto amargo daquela raiva matinal, passei a tarde me torturando, enforcando meus desejos com meus próprios dedos, me tocava, me sentia e me lambuzava sozinha, a passagem da vida no meu corpo de mulher parecia ganhar vida, pulsava a cada toque indigesto, inacabável sensação, consumei o prazer, estava dormente, ainda tinha vontade de comer. Adormeci. Meu corpo adolescente viu o dia cair, onde estaria aquela mulher? Sonhei aquele momento estava sonhando em branco, não tinha nada passando, me veio uma musica ao fundo, era blues, não conseguia abrir os olhos, não tinha luz, o som me possuía, estava mais perto, ela ria de mim, reconheci aquele perfume, não podia ser, mas era, ela, era ela.
Eu dormia, me acordou, não disse bom dia, não disse meu amor, como uma louca esfomeada me engoliu, me ergueu como um troféu, me fez sentir o céu num beijo, com seus lábios escorregando meu corpo, as curvas ainda sonolentas derretendo em suas mãos ficavam nuas a cada movimento, da boca ao pescoço sentindo meu perfume, meu corpo ,misturado com seu cheiro na perfeita sintonia, mais uma peça caia, fervia, da água ao vapor, calor, percorrendo, descendo, mãos ,dedos acariciavam meus seios quentes , rasgando minha pele, costas, suspiros , olhares perdidos, uma fome descontrolada, mais uma mordida,o gosto doce da carne proibida, descendo, barriga, língua, saliva ,palavras sórdidas, ela arrancava com a boca,dizia , me xinga, me grita, chega onde ninguém conseguiu chegar, me tocava , implorava , suava em cima do desejo, da luxuria, dos seus seios nas minhas mãos a se entregar, enquanto se lambuzava, saciava a fome, a sede , o meu corpo devorado, molhado para ela beber, tomar em goles curtos, apreciando minhas falas sujas, delirando de prazer, me invade,ela gritava, dentro de mim me bate, na cara, me joga, me chama, me vira, me deixa de quatro, me pergunta quem é sua mulher, não pára, os gemidos se confundiam,o pecado nos perseguia, sua língua já não falava minha língua, ela era minha, minha mulher e antes que negasse, ela se entregava novamente, algemada no poder de uma mente descontrolada, de mais uma noite fora da cama, de mais um dia com minhas marcas de dentes.
A cena foi tocada como uma música num disco arranhado, diversas vezes, enquanto a noite nos observava, calada, simplesmente sem uma palavra de consolo, a lua babava ao som do meu tolo corpo que ao fim despencava no inferno imaculado do sentimento mais puro e depravado, sagrada traição, mais uma vez passava por cima daquele homem, do meu pai, a carne não pensava, e através de um único feixe de luz, de uma porta mal trancada, continuava comendo minha própria madrasta ao doce som de Blues, que tocava, e não parava, não parava de tocar…
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Porra, que merda cara, a madrasta…porra mas ela só pode é ser muito boa…geralmente são feiosas que não dá nem vontade de olhar e que ainda pensamos: como é que meu pai pega isso ai?
Mas é do caralho esse conto.
choqueiiiii….
cara esse conto arrazou um amor simplesmente mais que proibido do que qualquer outro…
O.o
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