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Renata

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22 Dezembro 2009 as 2:57 am 697 views 8 ComentariosPrint This Post Print This Post

por Semente

Eu não acredito no amor. Essa troca vontades e desejos numa relação pra mim funcionava como se fosse um negócio. Não me entendam mal meus caros leitores, isso não passa de um pensamento prático sem as fantasias e deslumbres habituais de toda mulher. Antes que pensem no quanto sou mal amada já vos digo de antemão que não! Eu não sou uma mulher amargurada ou solitária, pelo contrário, me sinto muito bem amada.

E assim, eu venho vivendo e tentando me achar em meio a corpos, e pernas, e braços e abraços que nunca me dizem muita coisa além do desejo momentâneo de possuí-los. Mas e o depois? Segundo minha filosofia de vida, não há o depois, só o agora. Eu nunca penso no depois. Ou, não pensava. Eu estava decidida a não me envolver, a ser a ultima solteira desse mundo. E assim continuaria se não fosse “aquele olhar”.

Não sei o que vi naquela mulher, ela tinha uma presença e um olhar muito sensual e mistérioso. Toda vez que ela passava seu perfume ficava no ar e era como se entranhasse em mim, às vezes eu ainda podia senti-lo mesmo depois de chegar em casa, o que me fazia arder de desejo. Não parava de pensar naquela desconhecida que já fazia parte do meu dia, da minha noite, do meu ser. Desejo? Paixão? Eu não sei, mas algo tinha naquela mulher que me chamava a desvendar o que eu nem desconfiava que pudesse ser. Durante algumas semanas, ela passava e eu a olhava com um desejo que nem sabia de onde vinha.

Afinal de contas o que ela tinha? Tudo e nada. Não procurei saber seu nome, nem de onde surgiu, não sei se por covardia ou se realmente não me interessava. Nomes nunca me disseram muita coisa, mas acabei por saber que o seu nome era Renata, e que ela era a nova relações públicas da agência, ouvi sem querer quando o cara do xérox falava com o da recepção, pelo visto não era só a minha atenção que ela prendia. Renata era assim, onde passava prendia os olhares. O jeito como caminhava a mim parecia àquelas caminhadas em câmera lenta, uma coisa meio hollywoodiana. Eu queria aquela mulher e ao mesmo tempo tinha medo desse novo jeito de tanto querer alguém.

Certo dia, o pessoal da Agência resolveu tomar umas cervejas. Chegando ao bar lá estava ela e por ironia do destino me acomodaram ao seu lado. Eu tão galanteadora, que sempre sabia o que dizer nessas horas, calei. Diante dela só reparava suas curvas, o jeito como gesticulava e pela primeira vez ouvia o som da sua voz, aquela voz inesquecível, única. Eu bebia e balançava as pernas, estava nervosa por estar tão perto. De repente o descanso de copo cai entre nós e como num impulso natural as duas abaixaram pra pegar, nossas mãos se encontraram de leve, se tocaram, se reconheceram, os olhares se cruzaram e ela entrou em mim, invadiu minha alma e eu senti como se ela alcançasse uma parte minha que nem eu mesma havia alcançado até então, uma parte desconhecida, nebulosa. Neste momento reparei que eu não era a única a ficar mexida com aquele encontro de olhares, com aquele toque que me fez arder de desejo, pude perceber nos olhos de Renata o seu desejo mais íntimo. A partir desse momento começava um delicioso jogo de sedução, de olhares insinuantes e sorrisos provocantes.

Senti tocarem as minhas pernas e a olhei, ela sorriu o sorriso mais sacana que tinha e eu deixei que me tocasse, me apertasse. Então ela pegou minha mão, pôs entre suas pernas e enquanto eu a tocava e alisava levemente a sentia tremer. Ao pé do meu ouvido ela disse: “vem comigo”. Eu fui logo atrás dela e vi que ela havia entrado no banheiro, olhei pra trás pra ver se alguém vinha ou se alguém havia percebido. Entrei no banheiro e não a vi, passei rente as cabines e uma delas se abriu, senti me puxarem pra dentro, era ela. Encostou-me na parede apertando o corpo dela contra o meu, nossas bocas estavam tão próximas que eu podia sentir a respiração ofegante dela e os nossos olhos comiam uma a outra deliciosamente. Eu tremia de tanto desejo e a sentia da mesma forma. Ela veio na minha direção como se fosse me beijar, afastou o meu cabelo e passou seus lábios levemente pelo meu pescoço enquanto eu arrepiada, mergulhada nas intensas sensações que sentia passava minhas mãos por debaixo da sua saia, apertando ainda mais ela contra o meu corpo, e cada toque, a cada beijo mais vontade sentíamos. O ritmo das respirações aumentavam descontroladamente. Eu a peguei pela nuca, cheguei mais perto, fiquei a poucos centímetros de sua boca e escutei ela sussurrar enquanto fechava os olhos: “Me beija”. Então eu toquei aqueles lábios macios com os meus, a beijei de forma ardente, porém delicada, o desejo ardia no meu corpo todo e eu podia sentir. Eu queria aquela mulher com um querer urgente. De repente escutamos abrir a porta do banheiro, eram duas amigas da agência comentando nosso sumiço.

Ainda entrelaçadas nos olhamos e rimos daquela situação, quietinhas pra não fazer barulho. Ela pediu que eu esperasse um tempo depois que ela saísse.Ela me beijou deliciosamente antes de partir e foi. Fiz como ela pediu e esperei um tempo, quando sai percebi que ela já não estava mais a mesa. Perguntei por ela e o pessoal disse que havia ido embora. Fui pra casa e não conseguia parar de pensar nela, no quanto havia me tirado do sério. Não pude dormir aquela noite pensando naqueles olhos, no perfume dos cabelos avermelhados quando tocavam meu rosto, no beijo quente e feminino. Eu já havia beijado outras mulheres, minha opção sexual já não era mais segredo pra ninguém, mas o desejo que sentia não era igual, aquele beijo, aquela situação, tudo era muito envolvente, inevitável.

No dia seguinte, na agência, ela passou, mas não como antes. Ela me olhou, sorriu e logo em seguida tratou de desviar timidamente o olhar assim que eu devolvi. Engraçado como num instante éramos completas desconhecidas, e no outro compartilhamos juntas o que há de mais íntimo entre duas pessoas: toques, olhares, carícias.

Mais tarde, quando quase todos já tinham ido embora, eu arrumei minhas coisas pra ir também, enquanto esperava o elevador. Quando a porta se abriu: lá estava ela, sorrindo para mim e eu entrei com um sorriso tão ou mais tímido que o dela. Durante alguns instantes nos olhamos de um jeito ardente, quente, querendo uma a outra. Senti um frio na barriga e impulsivamente eu a puxei pela gola do casaco, joguei-a contra a parede e a beijei com desejo, com vontade. Ela apertou o botão que parava o elevador e sorriu pra mim, nessa hora com aquele sorriso safado. Enquanto nos beijávamos, eu podia sentir o seu corpo quente, passei suavemente umas das mãos por debaixo da sua blusa, tocando a barriga, sentindo a pele dela com as pontas dos meus dedos, subindo até os seios por cima do sutiã de renda branco que ela usava. Enquanto isso, eu podia sentir sua língua quente na minha orelha, os lábios no meu pescoço, a respiração ofegante dela na minha nuca e o perfume dos cabelos que passavam no meu rosto. Abri o botão da calça dela e a senti estremecer nesse momento. Foi quando ela disse, entre sussurros: “Não pára”, que eu a toquei e pude sentir sua vontade enquanto ela tremia com meus toques, suaves, gostosos. Ouvi um pequeno gemido dela quando aumentei o ritmo e assim eu continuei até sentí-la se contorcer ao chegar ao auge. Eu a beijei e senti seus lábios quentes, o corpo trêmulo junto ao meu. Ficamos durante alguns instantes passando uma boca na outra suavemente, até que paramos, nos olhamos e rimos. Em meio a todo esse desejo e aventura eu conheci aquela que me fez pensar no depois. E depois disso tivemos muitos outros depois.

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8 Comentarios »

  • Mariana disse:

    Nossa.. esse conta é muito bom! Como pode a pessoa escrever e fazer quem está lendo sentir o que ela tá fazendo, sentindo..
    Essa escritora é demais e o conto, é lindo!

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  • Marcelle disse:

    Me identifiquei bastante com a história.. mt sensual.. envolvente.. algo real que pode realmente acontecer conosco.

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  • Ren disse:

    esse conto me chamou atenção por um motivo: ren = abreviação de renata. rsrsrsrs ^^

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  • Sec disse:

    Nossa, realmente..mto bom

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  • Bel disse:

    todo mundo já teve ou vai ter uma Renata..
    adorei o conto!

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  • Pulinha disse:

    Muito bom esse conto, escreves muito bemm
    parabens mando bem

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  • Leolina Silveira disse:

    Ai ai…nossa que conto…sem palavras…sem comentários…só digo uma coisa, me fez imaginar muitas coisas a fazer a com minha namorada.

    Parabéns pelo conto!

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  • Nathy disse:

    É…minha namorada escreve deslumbrantemente bem=]

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