Sempre Dela
Avalie este texto:por Cecília C.
Não demorou muito pra que eu me desse conta que meus olhos estavam totalmente fora do meu controle, desviavam-se a qualquer sinal da presença dela e não raro ousavam fixar-se em alguma parte do seu corpo. Ainda assim, eu insistia em achar que não nutria desejos pela dona daqueles olhos escuros, grandes e de formato peculiar. Admitia porem, a enorme vontade de ser, de alguma forma, desejada por ela. Todavia, o jeito dela de sentar e de mexer com as mãos e aquele pedacinho da barriga que ficava a mostra entre a calça jeans e a baby look tornaram-se suficientes pra eu me pegar pensando nela com uma freqüência que mais tarde me fez concluir que eu já a desejava.
Nesse ponto eu devia ter trocado com ela uma meia dúzia de frases, não mais, ate que num fim de tarde, saindo do trabalho, recebi um telefonema de um amigo me convidando pra dar um pulo na casa dele, só pra jogar conversa fora. Pensei em recusar, mas quando olhei pro lado, lá estava ela, indo na direção que eu tomaria se aceitasse o convite: “Estou indo pra ai, chego em dez minutos”. Fomos caminhando juntas e, inexplicavelmente, depois de dois minutos estávamos juntas idolatrando Vinicius de Moraes, sem imaginar que um dia ela diria sem pudores mas com um certo rubor nas bochechas que era eu a musa dos sambas de Vinicius.
Todas aquelas luzes e a musica alta não foram capazes de me desviarem dela, era uma sintonia perfeita; em meio a uma dança desajeitada e tímida, nossos corpos se tocavam com suavidade, nossas mãos se entrelaçavam e nossos olhares se comunicavam sozinhos. E o meu pedia em forma de suplica que ela fizesse alguma coisa… E ela atendeu; veio em minha direção e nossos lábios se tocaram com calma. Eu conseguia sentir sua respiração ofegante e as mãos suadas deslizavam na minha nuca. Desejei que aquilo não acabasse, mas não poderia ser interrompido de forma melhor, com a voz firme ela me disse: “Eu preciso te levar pra minha casa”!
Sem pressa, ela me despiu com um olhar de encantamento que eu correspondia com um sorriso sincero. Ela tirou sua própria blusa. Eu já estava extasiada com a pressão do seu corpo no meu, mas vê-la nua foi como uma injeção de adrenalina. O tronco alongado e esguio, as curvas moderadas e a perfeição dos pequenos seios, tudo era ainda muito mais lindo do que eu poderia ter imaginado. Impulsivamente, eu cravei meus dedos em suas costas na tentativa de me certificar que ela era mesmo real. Em resposta ela segurou meus cabelos com força, me olhou nos olhos e como quem esperara por isso há muito tempo, sugou meu seio esquerdo enquanto seu joelho direito descobria o efeito daqueles lábios em mim. Ela gemeu contida ao me sentir tão lubrificada, e sabia que o mérito era todo seu.
Quando seus dedos longos e de juntas largas começaram a deslizar pela minha coxa eu tive a nítida sensação de que ela já conhecia cada pedaço do meu corpo e que, por conseqüência, sabia exatamente o que fazer com ele. E eu estava ali, completamente entregue. Eu já era dela há muito tempo. Senti-la dentro de mim foi me descobrir, foi me libertar. Naquele momento nossa dança não era mais desajeitada, pelo contrario, era compassada, era harmônica. Nossos corpos suados e encaixados exalavam prazer, o quarto inteiro respirava o cheiro do nosso sexo e do nosso contentamento.
Naquela noite eu adormeci nos seus braços tendo a mais absoluta certeza de que eu jamais adormeceria nos braços de alguém daquela forma.
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